Atos de Corrupção e a Lição do Beija-flor

Escrito por Coluna da Major Elizete Lima em 30 janeiro 2018

     Muito se fala, hoje em dia, sobre a corrupção que assola nosso país. Fala-se dos atuais políticos, que, de fato causam-nos vergonha pelo mundo afora; dos atos desprezíveis, dos prejuízos causados ao povo brasileiro e todos apontam o dedo condenatório a quem fora descoberto numa desses atos corruptos. Mas, basta um olhar mais apurado para os mais próximos, ou até mesmo para o próprio umbigo, e lá estão elas, as atitudes que, em menor escala, também são práticas de corrupção.

     Furar fila, talvez seja das mais corriqueiras; o jeitinho brasileiro; não devolver o troco que recebera errado; usar da influencia para conseguir um beneficio… Não são raras, por exemplo, as mensagens que recebo, in Box, nas minhas redes sociais, pedindo ajuda, para si ou para filho, para ingressar nas fileiras da Polícia Militar.

     Certa vez, fiz um texto enorme para explicar que, desde a Constituição Federal de 1988, o ingresso só pode se dar através de concursos públicos; e, mesmo assim, a pessoa ainda insiste, pedindo uma intercessão, “um empurrãozinho”. Minha vontade foi dizer que o empurrão deveria ter acontecido desde cedo, rumo à sala de aula, e fora dela, para uma mesa de estudos, como o fazem pais responsáveis que querem ver seus filhos vencerem honestamente, por si só, sem recorrer a métodos como esse.

     Mais recentemente, minha filha, infelizmente, reprovou. Ela estuda em uma escola de alto nível, e, confesso, 2017 foi um ano em que eu não pude acompanhá-la de perto nas tarefas escolares. Apesar dos esforços dela, não alcançou a nota necessária em álgebra, o bicho-papão do ensino médio. E vários amigos me ligaram, indicando escolas em que se pode comprar a aprovação, para que ela não “perdesse” o ano. Outros recomendaram que a mudasse de escola, ou que fosse interceder junto à direção, uma vez que ela é uma estudante extremamente querida por todos os funcionários, inclusive pelo professor da disciplina em questão.

     Sinceramente, em nenhum momento pensei em aceitar qualquer desses conselhos. Até porque, não considero um ano perdido! Ela estudou muito, aprendeu, conviveu, viveu! E sobre comprar a passagem para o ano seguinte, jamais o faria! Primeiro por ser um ato que, para ela, seria humilhante, um atestado de incompetência! Ela pode, sim, passar de ano nessa escola ou em qualquer outra, bastando, para tanto, um pouco mais de empenho nos estudos. E por que mudar de escola?! Então ela não estaria preparada para lidar com frustrações?!

Eu educo minha filha para a vida real, onde nem tudo é fácil e que há regras sociais que devem ser seguidas por todos nós! Ela terá que se esforçar para conseguir o que sonha, embora meu apoio seja incondicional e permanente. Seguir adiante, após uma queda, encontrar barreiras de dificuldades, vez por outra perder algo…  tudo isso faz parte da existência humana. Não quero fazer dela mais um ser humano que acha que o “jeitinho  brasileiro” é algo normal.

     Fico a imaginar o filho que vê seu pai ou mãe recorrer a esses meios, sem o menor constrangimento. Lembremo-nos que o exemplo arrasta. Se atos de corrupção são praticados pelos pais, a nova geração vai crescer e reproduzir tudo isso. Devemos parar de ser hipócritas, de apontar o dedo na direção dos outros e fazer a nossa parte, começando por nós mesmos!

    Se vamos conseguir?! Ora, lembremo-nos da fábula do beija-flor: Estava havendo um grande incêndio numa floresta e, enquanto todos os animais estavam fugindo, um pequeno beija-flor ia até o rio, pegava uma gotinha de água e jogava no incêndio… no caminho encontrou um elefante, que o chamou de bobo dizendo-lhe que jamais iria apagar aquele fogo todo; então, o minúsculo beija-flor disse: “posso até não conseguir, mas estou fazendo a minha parte!!”  

     Então, que todos nós nos tornemos BEIJA-FLORES!

Imagens: Internet

 

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