VIOLÊNCIA: A DOR DOS NÚMEROS

     Há vários anos é realizado no Brasil o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, onde diversos setores se encontram e elaboram um diagnóstico da violência, apresentado dados oficiais e apontando possíveis causas. Este ano, no mês de julho, ocorreu o 11º encontro e os estudos apresentados, nesta semana, assustam a leigos e especialistas da área.

     Em relação ao crime de latrocínio (roubo seguido de morte), de 2010 a 2016, houve um aumento de mais de 50%, por exemplo. Embora esse tipo penal esteja no rol dos crimes contra o patrimônio, milhares de vidas são ceifadas, e isso sai da esfera do incômodo social provocado pelos pequenos roubos e furtos e passa a aterrorizar as pessoas em geral, que, a cada dia, temem até mesmo sair de casa para ir a um restaurante ou fazer uma visita familiar.

     Recentemente, em Teresina, um senhor de 77 anos estava na porta de casa, como de costume nos finais de tarde, tocando flauta, quando fora abordado por dois infratores armados; ao levantar-se da cadeira com as mãos para o alto, supõe a polícia que os criminosos confundiram a flauta com uma arma e dispararam letalmente contra o cidadão, na presença de sua esposa que lia a bíblia antes da ocorrência. O casal de idosos, pais de um juiz federal do estado do Maranhão,  tinha 50 anos de casados!

     Imaginemos como está a senhora que assistiu a morte de seu marido. Ela ainda sai de casa?! E os vizinhos ou até mesmo as pessoas que apenas viram pela televisão ou jornais o relato de um crime como este!?  Foi mesmo um crime contra o patrimônio?! E todos nós, o que estamos sentindo ao vermos, dia após dia, crimes cada vez mais violentos, a maioria não solucionados, criminosos presos reiteradas vezes e não temos sequer uma luz no fim do túnel?!

     Segundo alguns especialistas, os crimes contra o patrimônio têm aumentado a passos largos e a falta de investimento na segurança pública é um dos fatores que acentuam a crise. Os infratores da lei estão cada vez mais audaciosos e cruéis. Temos inúmeros casos onde, mesmo que a vítima não esboce qualquer reação, são friamente assassinados. Pior que isso, mesmo que sejam presos, não tardam a retornarem às ruas e voltarem às suas atividades ilícitas.

     As polícias militares e civis se desdobram para realizarem prisões e apreensões. Mas, com efetivos cada vez menores, as instituições estão na contramão do crescimento dos números de delitos, e não conseguem garantir, sequer, a sensação de segurança com a presença ostensiva nas ruas e investigações que solucionem os crime, para que se faça valer a justiça, o que amenizaria o sofrimento das vítimas ou de seus familiares.

     Resta-nos, mesmo, é a dor da desesperança de dias melhores.

Imagens: Internet.

 

Uma respota para “VIOLÊNCIA: A DOR DOS NÚMEROS”

  1. Hermann Diniz disse:

    Na minha rápida apresentação na Audiência Pública informei que no ano de 2016 haviam acontecidas 55.000 mortes violentas intencionais, exceto as vítimas do trânsito. Todavia o Governo Federal atualizou os dados e informou que aconteceram 62.000 mortes e não as 55.000 noticiadas anteriormente. No trânsito aconteceram 48.000 vítimas fatais. Totalizando 110.000 mortes violentas não intencionais. Uma verdadeira calamidade pública. Seguranças Pública se faz com “inteligência” e ações profiláticas, com treinamento das forças policiais e investimentos em equipamentos. Combate ao tráfico de drogas ilícitas, combate ao comercio ilegal de armas e ao “Crime Organizado”.

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